A Universidade de São Paulo – USP, em parceria com uma série de universidades brasileiras e estrangeiras, incluindo universidades palestinas, e com apoio da editora Tabla, está organizando o curso “Brasil e Palestina: fontes de identificação” (Brazil and Palestine: sources of identification).

Veja um vídeo sobre o curso:

O curso terá duração de quatro meses e vai reunir especialistas brasileiros e estrangeiros com o objetivo de analisar aspectos chaves da história e da atual conjuntura palestina, para em seguida voltar-se às relações entre a Palestina e o Brasil, pensadas a partir da sociedade civil e das questões sociais que apresentam elos de semelhança no que diz respeito a suas fontes, expressões e tentativas de solução.

As aulas serão ministradas juntamente com professores de universidades palestinas ou da região, em suas áreas de pesquisa e reflexão.

O curso tem coordenação de Dra. Arlene Elizabeth Clemesha (USP), e organização de Dr. Rafael Gustavo de Oliveira (Pós-Doutorando DLO-FFLCH/USP), Vitória P. Bruno, Clara Bastos, Giovanna Carlos, Alexandre Tanhoffer. O evento contará com a participação mais que especial do escritor libanês Elias Khoury, autor do livro “Meu nome é Adam”, publicado aqui pela Tabla no final de 2022.

Professores/as:

Dr. Adnan Abdelrazek, Dra. Adriana Testa, Prof. Ahmad Amara, Alberto Musa, Prof. Bashir Bashir, Dr. Izzat Zeidan, Dra. Kelli Mafort, Profª. Muna Odeh, Prof. Munir Nuseibah, Nanci Pittelkow, Prof. Sa’d Nimr, Profª. Safa Jubran, Prof. Samer Abdelnour, Selma Dabbagh, Tahani Mustafa, Prof. Wail Hassan, Prof. Yusuf Natsheh. 

Participação especial de Elias Khoury, autor de Meu nome é Adam, publicado pela editora Tabla

As inscrições para o curso podem ser feitas através do link:
https://sce.fflch.usp.br/node/4929

Organização:

Prof. Dra. Arlene Elizabeth Clemesha (USP)

Prof. Dr. João Baptista Vargens (UFRJ)

Dr. Rafael Gustavo de Oliveira (Pós-Doutorando DLO-FFLCH/USP)

Monitores/as: 

Alexandre Tanhoffer

Clara Bastos

Giovanna Carlos

Vitória P. Bruno

Objetivos do curso: 

O objetivo do curso é analisar aspectos chaves da história e da atual conjuntura palestina, para em seguida voltar-se às relações entre a Palestina e o Brasil, pensadas a partir da sociedade civil e das questões sociais que apresentam elos de semelhança no que diz respeito a suas fontes, expressões e tentativas de solução. As aulas serão ministradas com a colaboração de professores de universidades palestinas ou da região, em suas áreas de pesquisa e reflexão.

Ementa:

As distintas histórias, composições sociais e religiosas e as condições atuais que caracterizam o Brasil e a Palestina não obscurecem o sentimento de identificação que frequentemente brota do encontro entre eles. Este curso busca elucidar e refletir sobre as possíveis fontes dessa proximidade e identificação: textos, romances, histórias e a vida retratada neles, ou questões sociais que encontram expressões de semelhança. Também serão abordadas questões como a permanência de pequenos produtores rurais na terra, as migrações urbanas, a dinâmica do deslocamento forçado diante da limpeza étnica e a especulação imobiliária. Cada tópico será ministrado por um professor diferente, de acordo com sua área de pesquisa.

Este é um curso de extensão online, gratuito e aberto à comunidade em geral. As aulas serão realizadas uma vez por semana, todas as quintas-feiras (com exceção de uma data), com 2h de duração, sendo 50 minutos para exposição, seguida de perguntas e respostas, e serão ministradas em inglês. O curso terá início em março e término em junho de 2023. 

As inscrições serão feitas online a partir do dia 02 de março de 2023 e serão emitidos certificados de participação pela Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo para os alunos matriculados que apresentarem frequência em, pelo menos, 70% das aulas. Não haverá prova.

Programa:

Apresentação do curso: Professora Dra. Arlene Clemesha com a presença do Embaixador Alessandro Candeas, representante do Brasil na Palestina. 

Cronograma de aulas:

1- História da Palestina e a Nakba permanente (Prof. Sa’d Nimr, Universidade de Birzeit);

A Palestina sempre esteve no centro de debates importantes. Esta aula vai abordar a História da Palestina combinando temas atuais através da ideia de Nakba permanente. 

2- Jerusalém: história e religiões impressas em seu vasto patrimônio arquitetônico (Prof. Yusuf Natsheh, Universidade Al Quds);

A aula será dividida em duas partes: a primeira diz respeito aos aspectos mais proeminentes da história de Jerusalém, enquanto a segunda trata da paisagem arquitetônica da cidade. 

3- Refugiados palestinos: contexto palestino na diáspora. (Dr. Adnan Abdelrazek);

A aula recupera o fundo histórico da relação entre a aspiração nacionalista judaica, seguida mudança do movimento sionista para se associar ao Antigo Testamento judaico e a invenção de uma “Terra Santa” (Palestina) sem levar em consideração seu povo nativo (os palestinos). Também será discutida a limpeza étnica dos palestinos de 1948/49 e as consequências deste acontecimento.

4- Partidos políticos, movimentos da juventude e a questão da sucessão na Palestina (Tahani Mustafa, analista da Cisjordânia no International Crisis Group);

Esta aula terá como foco o desenvolvimento das instituições governamentais nos territórios da Palestina pós-1967 e no desenvolvimento dos arranjos institucionais pós-Oslo. 

5- Apartheid e a infraestrutura da violência (Prof. Samer Abdelnour, Universidade de Edimburgo);

Como entender o sistema de Apartheid israelense? Esta aula se concentrará no conceito, estruturas e práticas do apartheid. A aula explora várias dimensões do sistema de Apartheid israelense: física, ideológica, institucional e a infraestrutura. 

6- A diáspora palestina e a presença da cultura árabe no Brasil (Profª. Muna Odeh, Universidade de Brasília);

Esta aula tem como objetivo discutir a diáspora palestina no Brasil a partir da cronologia dos eventos geopolíticos que impulsionam as diferentes ondas de sua chegada ao longo dos últimos 100 anos – do Império Otomano, passando pelo Mandato Britânico, a Revolta de 1936 e sua violenta repressão, a Nakba de 1948, a Naksa de 1967 e a Guerra da Síria (que também acarretou em uma onda de palestinos vindos ao Brasil).

7- Traduções do Sul-Sul (Prof. Wail Hassan, especialista em literatura comparada, Universidade de Illinois) em diálogo com o autor de The Enigma of Qaf (Alberto Musa);

Um dos principais objetivos da aula é o diálogo com Alberto Mussa, romancista brasileiro de ascendência libanesa e palestina, e Wail Hassan, professor egípcio-americano de literatura compara e tradutor do romance o Enigma de Qaf, de Mussa, para o árabe. 

8- As comunidades beduínas na Cisjordânia hoje (Ahmad Amara); As comunidades indígenas Guarani Mbya em frente à terra expropriação e outros conflitos (Adriana Testa)

Ahmad Amara:

A aula discutirá a história e as realidades desafiadoras contemporâneas das comunidades beduínas palestinas, a expropriação de terras e casas demolição que enfrentam pelas autoridades israelenses, e os argumentos legais

apoiando essas práticas israelenses.

Adriana Testa:

Os Guarani Mbya são uma população indígena presente em partes do Uruguai, Nordeste da Argentina, Leste do Paraguai, Sul e Sudeste do Brasil. O objetivo desta apresentação é abordar, de um lado, os impactos causados ​​por setores públicos e privados iniciativas de “desenvolvimento” e, por outro, discutir como os Guarani Mbya usaram suas tradições e conhecimentos para desafiar ativamente esses experiências de expropriação de terras e conflitos.

9- As soluções postas em prática pelo movimento dos sem-terra MST para promover a permanência das comunidades tradicionais em suas terras (Cássia Bechara); Os movimentos agrícolas palestinos: sumud e criatividade (Izzat Zeidan)

Nesta aula apresentaremos brevemente a história dos sem-terra rural movimento dos trabalhadores (MST), com foco na discussão em torno da A Reforma Agrária Popular e nossas reivindicações, em nossas experiências como camponês movimento social de massas, na luta pela terra, na relação com sociedade urbana, bem como em nossas ações de permanência na terra, incluindo a formação e qualificação de nossa militância.

10 – A luta por moradia no Brasil e o caso da Vila Nova Palestina em São Paulo (Nanci Pittelkow); Limpeza étnica e gentrificação na Palestina hoje (Prof. Munir Nuseiba)

Nanci Pittelkow:

Não é incomum que trabalhadores urbanos subempregados ou precarizados tenham que escolher entre pagar o aluguel ou comprar comida para suas famílias. Nos últimos anos, essa realidade tem se intensificado nas grandes cidades. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) oferece uma alternativa ao população periférica, através da luta. O caso da ocupação Vila Nova Palestina, realizada em 2013 no extremo sul da capital paulista, resume a situação de uma população refugiada dentro da própria cidade.

Munir Nuseibah:

Esta palestra examinará os métodos usados ​​por Israel para a limpeza étnica dos Palestinos através do uso de uma série de leis e regulamentos que forçam Palestinos a viverem longe de suas casas ou submetidos a viver sob contínua perseguição. Exemplos dessas medidas, via de regra, ligadas ao status de residência e planejamento urbano.

11- Um novo paradigma para o futuro da Palestina: o que a solução de um estado único pode trazer? 

A solução de um estado (novo paradigma) é cada vez mais invocada como possível alternativa à solução de dois Estados ou partição territorial (antigo paradigma). A democracia liberal e os acordos binacionais são muitas vezes

mencionados como alternativas ética, politicamente desejáveis ​​e defensáveis para a solução de dois estados. Esta palestra é dedicada a examinar criticamente alternativas para a solução de dois estados com foco particular nas duas alternativas acima mencionadas.

12- A Palestina como literatura nos escritos de Elias Khoury (Prof. Safa Jubran); Existe uma narrativa palestina atual? (Selma Dabbagh) Com a presença de Elias Khoury

Safa Jubran:

O silêncio falante: a partir do romance Meu nome é Adam, o primeiro volume da trilogia Filhos do Gueto, do escritor libanês Elias Khoury, esta aula abordará alguns dos temas tratados, como o Nakba e Lydda’s Ghetto, além dos temas embutidos, com foco em certas técnicas narrativas usadas por Khoury para atingir os pontos que ele

queria discutir, como identidade, história, memória, a relação do romance à história, algumas questões os atravessam: como restaurar em crimes literários cujas vítimas se emparedaram em silêncio? Como a literatura pode ser a única maneira de dar sentido à falta de sentido da vida.

Selma Sabbagh:

Podemos recorrer à ficção para estabelecer um termo que descreva o impacto multidimensional do sistema de controle dos palestinos por Israel? Os palestinos estão experimentando uma espécie de tecno-necroapartheid distópico de alcance e brutalidade sem precedentes; mecanismos de controle, legal e físico, testado em uma população para aplicação global mais ampla. Os leitores podem recorrer à ficção para descobrir como é experimentar vidas palestinas, mas também fornece narrativas de resistência que são universalmente aplicável?’

O poeta abássida cego, Abu Al-Ala Al Ma’ari (973-1057) escreveu: ‘Agarre-se ao que é mais você/ Não desperdice,

não deixe sua vida/ ser governada por aquilo que te perturba.’ Esta aula explorar o que pode ser apreendido com a resistência palestina, considerando que os eixos da narrativa podem ser encontrados também na ficção. Assim, a proposta é propor a ideia de que os palestinos foram capazes de construir uma narrativa não baseada naquilo que são contra, mas também sobre aquilo que são a favor.

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